6 horas atrás - editado pela última vez 4 horas atrás
O Graphisoft Connect São Paulo reuniu profissionais de 26 escritórios de arquitetura para uma manhã de conversas, aprendizado e colaboração sobre BIM, Archicad e desafios reais da prática de projeto.
O encontro foi criado para aproximar usuários da comunidade Archicad em São Paulo, incluindo arquitetos, BIM Managers e líderes de escritórios. Além de apresentar novidades do ecossistema Graphisoft, a proposta foi criar um espaço para ouvir experiências de quem utiliza o Archicad diariamente, discutir desafios comuns e transformar aprendizados práticos em oportunidades para a comunidade.
A programação combinou networking, discussões em grupo e apresentações rápidas sobre o futuro dos produtos e iniciativas da Graphisoft.
Ao longo do evento, os participantes trabalharam em mesas de discussão para mapear desafios BIM, levantar sugestões para o futuro e compartilhar práticas que ajudam a tornar os fluxos de trabalho mais consistentes, produtivos e colaborativos.
A dinâmica reuniu escritórios com diferentes perfis, equipes e escalas de projeto. Isso permitiu a troca de soluções práticas desenvolvidas a partir de situações reais de trabalho.
Um dos momentos centrais foi a atividade de boas práticas e produtividade. Cada mesa escolheu uma prática relevante para o dia a dia, e os participantes responsáveis autorizaram o compartilhamento de suas contribuições aqui na comunidade.
A seguir, reunimos as práticas selecionadas, organizadas pelos temas da dinâmica.
Beatriz Marchiori, Rafaela Cristino e Rodrigo Araújo dos Santos — Fernandes Arquitetos Associados
Uma das grandes vantagens do Archicad é a flexibilidade na modelagem. Um mesmo elemento pode ser representado de maneiras diferentes: uma soleira, por exemplo, pode ser modelada com as ferramentas Laje, Viga ou até com objetos específicos.
Porém, em um processo BIM, a escolha não deve ser baseada apenas no resultado visual. Ela precisa considerar principalmente a informação que o elemento deve carregar e compartilhar ao longo do projeto.
A prática adotada pela Fernandes Arquitetos Associados surgiu da necessidade de alinhar equipes grandes ou formadas por profissionais com diferentes níveis de experiência. Sem uma orientação comum, cada modelador pode trazer hábitos próprios, comprometendo a padronização do modelo, a qualidade das informações, os quantitativos e os dados exportados para IFC.
A solução foi criar um documento de diretrizes de modelagem do projeto. Nele, a equipe define previamente:
Assim, quando um novo profissional entra na equipe, encontra orientações claras sobre como modelar, classificar e preencher informações, sem depender apenas de suas preferências ou experiências anteriores.
O objetivo não é restringir a flexibilidade do software, mas usá-la de forma estratégica para garantir modelos consistentes, informações padronizadas e maior alinhamento aos requisitos do projeto. A abordagem reduz retrabalhos, facilita a integração de novos profissionais, fortalece a interoperabilidade e aumenta a confiabilidade de quantitativos e entregáveis.
Beatriz Marchiori e Rafaela Cristino são BIM Managers certificadas pela Graphisoft. Atuam como referências internas em BIM na Fernandes Arquitetos Associados, apoiando equipes, desenvolvendo padrões de modelagem e contribuindo para a evolução da maturidade digital e da interoperabilidade dos projetos do escritório.
Rodrigo Araújo dos Santos é Diretor Técnico e sócio da Fernandes Arquitetos Associados.
Otávio Augusto — BIM Manager, Marina Linhares
A dica de Otávio Augusto é organizar os índices de atributos e perfis do Archicad por setores numéricos, em vez de deixá-los na ordem atribuída automaticamente pelo programa.
A proposta é reservar faixas de mil números para cada categoria de atributo. Por exemplo:
Também é recomendado manter um índice “teto” bem acima dos atributos curados do template — por exemplo, 9999. Como o Archicad sugere o próximo índice livre para novos atributos, esse teto ajuda a impedir que adições espontâneas de usuários alterem ou desorganizem a ordenação planejada do template.
Começar as faixas a partir de 1000 também reduz o risco de conflitos ao colar elementos de projetos antigos, considerando que os atributos desses arquivos muitas vezes estão abaixo dessa numeração.
O resultado são templates mais fáceis de manter, atualizar e transferir elementos entre projetos, evitando “índices à deriva” e problemas de atribuição.
A prática surgiu durante a atualização do template da Marina Linhares, motivada pela migração da biblioteca do Archicad 27 para a versão 28 ou mais recente. Em vez de apenas atualizar o arquivo existente e levar problemas antigos de organização para a nova versão, a equipe optou por revisar completamente o template e recriá-lo do zero. Esse processo permitiu reorganizar os índices de atributos de forma minuciosa e prevenir que futuras atualizações de versão se tornem pesadas ou problemáticas.
Otávio Augusto é BIM Manager do escritório Marina Linhares. Conheceu o Archicad durante a graduação e se interessou pelo software desde o início. Ao começar a trabalhar com a ferramenta, aprofundou-se em BIM e em seu potencial. Hoje, atua para que arquitetos possam expressar sua criatividade com menos obstáculos técnicos e burocráticos.
BIM Manager de escritório de arquitetura do mercado imobiliário — contribuição anônima
O uso de PMK surgiu como uma solução para não redesenhar os detalhes construtivos de uma biblioteca de detalhes 2D a cada nova versão do Archicad.
O escritório possuía uma biblioteca de detalhes desde o Archicad 23 e percebeu que, com a chegada de novas versões, as lacunas de canetas podiam mudar de lugar. Para evitar o retrabalho de redesenhar mais de 50 detalhes todos os anos, a equipe passou a exportar os detalhes em PMK e estampá-los nas pranchas de entregáveis.
A prática funciona especialmente bem quando há dois sistemas de arquivos:
Com o tempo, o método também passou a ser utilizado em projetos muito pesados. Nesses casos, vistas de fachadas ou cortes podem ser exportadas e estampadas em um arquivo secundário de documentação.
Esse fluxo exige uma etapa adicional: caso um detalhe seja alterado, o usuário deve corrigir o arquivo matriz, exportar novamente o PMK, abrir o arquivo secundário e atualizar a vista correspondente na prancha.
Mesmo assim, a equipe percebeu vantagens importantes. O processo ajuda a manter os arquivos mais leves e ágeis, compensando o fluxo extra de atualização.
Ana Luisa — Coordenadora BIM e de Projetos, Faisal Paisagistas
Como projetista complementar de Paisagismo, Ana Luisa compartilhou uma prática criada para tornar a compatibilização entre disciplinas mais leve, consistente e visualmente padronizada.
O contexto cotidiano da Faisal Paisagistas envolve o recebimento de modelos IFC de Arquitetura e Estruturas. Para realizar a compatibilização, a equipe precisa modelar e documentar a partir desses modelos e em conjunto com eles. O desafio era evitar que vegetais externos poluíssem o template e, ao mesmo tempo, criar uma forma consistente de visualizar e documentar as disciplinas complementares.
A prática consiste em criar vegetais próprios para as disciplinas com as quais o escritório trabalha e configurar um Tradutor de Importação específico para cada uma delas, por exemplo:
TRAD IMP | COMPLEMENTAR - ARQUITETURATRAD IMP | COMPLEMENTAR - ESTRUTURAS
Nas predefinições de cada Tradutor de Importação, a recomendação é configurar a Conversão de Vegetal. Em vez de utilizar uma “Importação Geral”, cada disciplina recebe uma regra de conversão própria. Assim, os elementos do modelo importado são agrupados e direcionados para um único vegetal específico do template, como COMPL - INTERIORES ou COMPL - ESTRUTURA.
Segundo Ana Luisa, esse fluxo ajuda a:
Na prática da Faisal Paisagistas, por exemplo, o modelo de Arquitetura pode aparecer com trama branca simplificada ou vazia e canetas em cinza médio. Estruturas aparecem em azul; Interiores, em cinza claro; e Hidráulica, em laranja.
É um fluxo simples, mas que trouxe ganhos de produtividade no dia a dia do escritório e no desenvolvimento de projetos de paisagismo com Archicad.
Ana Luisa é arquiteta e urbanista e atua como Coordenadora BIM e de Projetos na Faisal Paisagistas, onde desenvolve fluxos de trabalho em Archicad voltados para projetos de paisagismo e compatibilização entre disciplinas. Também é fundadora do Paanã Estúdio, iniciativa autoral dedicada ao compartilhamento de conhecimento sobre BIM e Archicad aplicado ao paisagismo.
Mariana Byczkowski Iglecias — Arquiteta, METRO ARQUITETOS ASSOCIADOS
A dica de Mariana surgiu em um projeto atipicamente grande, com uma quantidade muito elevada de elementos e, consequentemente, de portas.
No template da METRO ARQUITETOS ASSOCIADOS, as portas estavam configuradas nos Favoritos com a opção “Espessura da Moldura = Espessura da Parede” habilitada. Essa configuração facilita o fluxo de trabalho cotidiano, pois mantém automaticamente a espessura da moldura de acordo com a parede em que a porta está inserida.
Durante o desenvolvimento desse projeto, a equipe identificou um problema específico de desempenho na operação Enviar e Receber do Teamwork. O arquivo apresentava travamentos durante o Receber quando mais de um usuário trabalhava no projeto.
Com o apoio do suporte da Graphisoft, os desenvolvedores identificaram que a grande quantidade de portas — especialmente em módulos associados — poderia fazer com que o Archicad acionasse em massa o processo interno RevealDepthOfWallOpeningsRecalculator. Esse processo recalcula parâmetros das aberturas sempre que determinadas alterações são feitas nas paredes. Em um arquivo muito grande, isso pode resultar no processamento de muitas alterações durante o Enviar e Receber.
Como teste, a equipe desabilitou a opção “Espessura da Moldura = Espessura da Parede” nas portas e informou manualmente uma espessura equivalente. A partir disso, o travamento específico durante o Receber deixou de ocorrer.
A recomendação não é desabilitar essa opção em todos os projetos. A dica é considerá-la como uma possível variável de investigação em arquivos muito grandes que apresentem problemas de desempenho ligados ao Enviar e Receber.
Mariana Byczkowski é arquiteta na METRO ARQUITETOS ASSOCIADOS. Atua com desenvolvimento de projetos e gestão BIM no escritório, que utiliza o Archicad como principal ferramenta de trabalho.
Ruben Millon — Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados
Ruben Millon compartilhou uma prática para melhorar a performance e organizar as visualizações no Archicad: observar não apenas a visibilidade dos Vegetais, mas também o Número do Grupo de Interseção dos Vegetais.
Em uma determinada Combinação de Vegetais, se um Vegetal está oculto e não precisa participar dos cálculos gráficos daquela vista, uma boa prática é definir seu Número do Grupo de Interseção como 0.
Muitas pessoas pensam que, ao ocultar um Vegetal, o Archicad deixa completamente de considerar os elementos nela presentes. Mas isso não significa necessariamente que o software deixa de calcular as relações e interseções desses elementos.
A dica é especialmente útil em projetos grandes e em vistas de documentação 2D. Em uma planta, por exemplo, lajes, pilares e vigas podem estar em Vegetais diferentes. Se esses Vegetais possuem números de grupo de interseção compatíveis, o Archicad pode precisar calcular as interseções entre esses elementos, mesmo quando essas relações não são relevantes para aquela documentação.
O mesmo vale para Vegetais ocultos. Se determinados elementos não precisam aparecer nem participar da lógica gráfica de uma vista, além de ocultar o Vegetal, é possível definir o Grupo de Interseção como 0.
Uma pergunta útil para revisar as Combinações de Vegetais é: se este Vegetal está oculto nesta vista, ela realmente precisa participar dos cálculos de interseção? Se a resposta for não, ela pode ser colocada no grupo 0.
A descoberta surgiu durante a revisão e evolução dos fluxos de trabalho do escritório. Durante muito tempo, as Combinações de Vegetais eram pensadas principalmente pelo resultado visual: o que aparece e o que não aparece. Ao aprofundar a análise, a equipe percebeu que visibilidade e processamento não são exatamente a mesma coisa.
Hoje, essa reflexão faz parte da forma como o escritório discute Combinações de Vegetais no programa de BIM Manager: uma combinação não deve ser pensada apenas pelo que mostra, mas também pelo que faz sentido o Archicad processar em cada vista.
Ruben Millon é arquiteto sênior na Königsberger Vannucchi, atuando na KVLabs com foco no desenvolvimento e aprimoramento de fluxos BIM. Também é um dos treinadores certificados globais do curso BIM Manager da Graphisoft.
O Graphisoft Connect São Paulo reforçou o valor de criar espaços presenciais onde usuários possam discutir desafios reais, trocar práticas e construir aprendizados coletivos. Os temas levantados ao longo das dinâmicas ajudam a orientar as próximas conversas da comunidade.
A Graphisoft agradece a todos os profissionais e escritórios que participaram do encontro, contribuíram com suas experiências e autorizaram o compartilhamento dessas práticas com outros usuários de Archicad.
Qual dessas práticas você mais gostou e pretende aplicar no seu dia a dia com Archicad e BIM? Compartilhe em nosso fórum.